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Projeto piloto do Sesi MT oferta atendimento em saúde mental para trabalhadores da indústria

30/09/2026 - 11h29
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Mais de 600 trabalhadores que recebem atendimentos
psicológicos e participam de dinâmicas voltadas à saúde
mental

Em meio à rotina agitada do trabalho, a saúde mental pode ser deixada de lado, causando malefícios a longo prazo. Atentos a essa temática, o Serviço Social da Indústria (Sesi MT), com apoio do Departamento Nacional do Sesi, oferta o Projeto Ápice, com mapeamento, capacitação, palestras e atendimentos psicológicos aos trabalhadores.

O projeto piloto da iniciativa ocorre há um ano na indústria Mika e Sorpan, alcançando mais de 600 trabalhadores. Eles passaram por uma avalição que identificou suas necessidades, definindo uma jornada personalizada, com conteúdo adequado a cada perfil. Essa análise é feita por meio da plataforma online Mentis 360, que também oferece vídeos informativos, podcasts e outros serviços de atendimento.

O encarregado do Grupo Sorpan, Fernando Vinicius, compartilha sua experiência como participante do projeto: “Quando se fala de saúde mental, se expressar pode ser difícil, mas foi uma experiência muito bacana. O projeto trouxe perguntas que nem sempre a gente tem tempo de refletir, e fazem a gente prestar mais atenção no nosso psicológico. Gostei muito de ter participado e indico para quem quer cuidar mais de si mesmo”, comenta.

Para a Engenheira de Segurança do Trabalho da Sorpan Alimentos, Christiane de Jesus Bizerra Scaff, a iniciativa veio para somar na indústria: “Ao saber lidar com os sentimentos e emoções, os colaboradores conseguem direcionar melhor os desafios do dia a dia. Acredito que a nossa participação na iniciativa desenvolve o trabalhador não só como indivíduo, mas também como participante do mundo corporativo”.

Foco na dor

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Eles passaram por uma avalição que identificou suas
necessidades, definindo uma jornada personalizada,
com conteúdo adequado a cada perfil

Conforme explica a coordenadora de Promoção da Saúde do Sesi MT, Dayane dos Santos, com a ferramenta é possível mapear a saúde mental dos trabalhadores e realizar um levantamento inicial de seu estado psicológico. “Assim, conseguimos trabalhar na prevenção e evitar o adoecimento, com atenção especial para estresse, ansiedade e depressão. Sem a devida atenção, esses problemas podem se tornar uma bola de neve e desencadear uma piora nesses quadros. Por isso, é importante a empresa ficar atento aos sinais”, afirma Dayane.

O projeto também leva ações estratégicas para líderes, trilhas de cuidado e outros conteúdos exclusivos focados em prevenção. As empresas atendidas ainda são incentivadas a manter estratégias de prevenção, realizar capacitação da equipe para agir diante de desafios emocionais.

A iniciativa propõe uma assistência que varia de 6 meses a um ano, com reavaliação para identificar a evolução do quadro. Caso o mapeamento identifique sinais de agravamento e o trabalhador manifeste necessidade de ajuda, ele poderá ser encaminhado para acompanhamento com outros profissionais.

“Optamos por um acompanhamento mais próximo para que o trabalhador tenha a possibilidade de receber esse suporte presencialmente dentro da empresa, durante o horário de trabalho, facilitando sua rotina. Caso a empresa não tenha um profissional disponível, a plataforma indicará unidades do CAPS próximas, onde há profissionais de saúde disponíveis”, comenta.

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Com a ferramenta é possível avaliar a situação do
trabalhador e fornecer a ajuda necessária, de acordo com
sua maior queixa

Dados preocupam

Segundo levantamento do Observatório da Indústria de Mato Grosso, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou em 2025 um total de 4,2 milhões de afastamentos no Brasil, um aumento de 16,41% em relação a 2024, que registou 3,7 milhões de afastamentos. Os afastamentos decorrentes da saúde mental representam cerca de 12,54% de todos os afastamentos no país. Para Mato Grosso, esses afastamentos representam 7,7% dos afastamentos no estado. O levantamento mostrou ainda que o estado ocupou a 16ª posição em 2025, com 70 mil afastamentos. Destes, 5.425 afastamentos foram decorrentes de doenças ocupacionais relacionadas a saúde mental, sendo um aumento de 28%, quando comparado com 2024.

Diante deste cenário, a psicóloga do Sesi MT, Isabella Souza, pontua que cuidar da saúde mental da equipe também é uma estratégia de negócios. Ela entende que o agravamento da saúde mental implica em afastamentos, desentendimentos no ambiente de trabalho e baixo desempenho.

“Quando a indústria incentiva o cuidado com a saúde mental, ela reconhece que a saúde do trabalhador precisa ser compreendida de forma integral. Criar espaços de diálogo, promover ações preventivas e ampliar o acesso à informação contribui para que os colaboradores reconheçam suas necessidades e busquem apoio quando necessário. Isso interfere diretamente na produtividade e, consequentemente, na competitividade da empresa”, afirma

A profissional destaca que ambientes laborais que trazem esse suporte se destacam no mercado de trabalho, atraindo novos profissionais e preservando relações duradouras com as equipes. “Falar de saúde mental dentro das organizações é, acima de tudo, investir em pessoas e compreender que o bem-estar também faz parte de um ambiente de trabalho sustentável”, diz.

Texto: Agda Ribeiro e Fernanda Nazário

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